Cavi Borges produtor, distribuidor e cineasta que já alcançou inúmeros países com suas produções

Por: Duda Miguez

Cavi Borges é carioca da gema e fundador da Cavideo Locadora, grande referência para o mundo cinéfilo. A partir dos anos 2000 o espaço passou por um processo de se tornar uma produtora, organizando mostras, eventos e cineclubes . Em 2010 transformou-se em distribuidora e agora em 2020 tornou-se um espaço cultural.

Como diretor de cinema, Cavi já fez 15 longas e 52 curtas. Já como produtor fez 77 longas e 157 curtas ganhando 178 prêmios em Festivais nacionais e internacionais. Em 2008 venceu o prêmio de Jovem Empreendedor do Cinema  e foi representar o Brasil na etapa mundial em Londres.

Seus filmes já foram exibidos nos principais festivais do mundo: Cannes, Berlim, Locarno, Rotterdan, Gramado, Cine PE, Festival do Rio, Brasília entre outros.O filme “Cidade de Deus – 10 Anos Depois” foi exibido em 60 festivais e hoje se encontra disponível na NETFLIX em 130 países.

Confira a seguir a entrevista que realizamos com o cineasta, produtor e distribuidor Cavi Borges:

A Cavideo Locadora atualmente é  um espaço cultural. Como foi essa transição até ela se tornar o que é hoje?

Essa transformação para espaço cultural foi uma forma que encontrei para reinventar a Cavideo já que a locadora há algum tempo não gerava tanto lucro. Para não fechar a locadora e guardar ou vender o acervo de quase trinta mil filmes, fizemos uma parceria com a Rio Filmes  levando a Cavideo para a Casa Casadas em Laranjeiras. Lá além de ser uma locadora é uma biblioteca de cinema, espaço cultural e quando viável terá exposições, cursos, aulas, palestras, teatro e cineclube presencial, pois já estamos fazendo online, tudo gratuito.

Você venceu o prêmio de Jovem Empreendedor do Cinema em 2008, o que esse fato significou para você?

Ganhei esse prêmio com o meu projeto Curtas na Prateleiras, que é um projeto de distribuição gratuita de curtas metragens em locadoras, pontos de cultura, espaços culturais e cineclubes.Fui para Londres onde passei um mês com os outros dez empreendedores de todos os países do mundo e pude conhecer outras produtoras, estúdios e distribuidoras. Fiquei em segundo lugar, minha primeira experiência profissional internacional, foi muito legal  e uma oportunidade muito rica.

Como é saber que seus filmes já foram exibidos em festivais como: Cannes, Berlim, Rotterdan etc?

Esses festivais internacionais, principalmente Cannes, Berlim, Rotterdan e Locarno são verdadeiras vitrines. São eventos  que você exibe seu filme e todos estão de olho, a partir daí você recebe convite  para exibir em vários outros países. É algo muito bacana pois ajuda na divulgação da sua produção além de ser um bom termômetro para ver se ela funciona no estrangeiro. Abre as portas para várias viagens também, eu gosto muito é muito bom.

Você já produziu 77 longas e 157 curtas, tem algum que você guarde no coração?

Os filmes são como nossos filhos, cada um tem o seu estilo, foi feito de uma forma com pessoas e épocas diferentes então não tem  como ter um preferido mas tem aqueles que acontecem mais coisas. Por exemplo, o meu curta Sete Minutos,  abriu muitas portas para mim, foi exibido em diversos lugares e ainda ganhou o Festival do Rio, que era um evento que eu costumava a ir como espectador , bastante marcante. Fora isso tem o  Cidade de Deus – 10 Anos Depois e o Salto no Vazio que fiz junto com a Patricia minha parceira de vida e arte, creio que esses três me marcaram mais.

Você dirigiu o filme “ Cidade de Deus- 10 Anos Depois” , o que esse projeto significa para você?

O filme “ Cidade de Deus- 10 Anos Depois” foi um filme que a gente chama de vencedor. Ele repercutiu muito, ganhou inúmeros prêmios, foi muito visto, ganhamos até editais coisa que não estamos acostumados a receber. O retorno dele foi muito amplo, hoje em dia ele está sendo exibido no mundo inteiro , qualquer lugar que eu vou tem pessoas que já assistiram, graças a Netflix e o alcance dela. É um filme que também aborda a dificuldade de fazer arte no Brasil, isso reflete um pouco não só nas dificuldades dos atores mas como da minha e dos artistas em geral.