Ana Cecília Mamede e sua caminhada rumo ao sucesso

Vencedora do prêmio como melhor atriz de humor no Rio Web Fest 2020

Por: Redação

Dizem que grandes papéis podem modificar muitas coisas na carreira de um artista, que tendem a motivá-los ou a acomodá-los. Para Ana Cecília Mamede, foi um combustível no foguete da motivação em seu caminho. Ao interpretar a personagem Sabrina na série “Vida de blogueira”, ela conquistou o prêmio de melhor atriz de comédia no festival Rio Web Fest, que prestigia novos talentos.

“Com certeza, esse prêmio foi um marco para mim. Levei isso como um sinal de que tenho que continuar acreditando que estou no caminho certo e que tudo acontece na hora certa. Às vezes, temos muitos planos e, quando eles não acontecem no tempo em que planejamos, tendemos a achar que fracassamos ou não estamos fazendo algo corretamente”, se emociona Ana Cecília.

A série foi gravada no início de 2019 e, mesmo sem ter ideia do que o coronavírus ia fazer com o mundo, parece que ela foi acionada na hora certa. O convite surgiu através do diretor Vinícius Arêas, seu amigo de longa data.

Como foi participar desse projeto em um ano tão complicado?

R: Quando recebi o roteiro e o li, entendi de cara o humor peculiar do Vini e fiquei muito feliz com o convite, não teve nem argumentação, só topei na hora.
Para minha surpresa, ainda fui dirigida por ele (Vinícius Areas) e pelo Quentin Lewis! Foi uma experiência bárbara, ambos são diretores muito generosos e dão muita liberdade criativa para os atores, isso tornou tudo muito mais divertido ao longo das filmagens. Ter conhecido e trabalhado com o Quentin nessa produção foi muito especial, ele é um profissional realmente singular

Conte um pouco mais sobre o papel que você interpretou?

R: Interpretei a personagem Sabrina, que é uma menina criada em um ambiente de classe média por uma família que se ama, porém tem valores um pouco fúteis. Quando ela acorda do coma e se vê obrigada a se reinventar na sociedade atual, ela começa a repensar toda a sua vida. Foi uma imensa jornada tanto para ela quanto para mim, e eu guardo a minha estadia no Canal Demais com o Vini e com o Quentin (Lewis) – co-diretor – um imenso carinho”, explica.

A série está disponível na plataforma Youtube e pode ser acessada de qualquer lugar do mundo. Como você se sente sabendo que sua arte ultrapassa fronteiras e o isolamento social?

R: O coronavírus nos trouxe várias lições e reflexões que jamais faríamos se não tivéssemos sido obrigados a abandonar nosso cotidiano de afazeres e tarefas que vinham abalando o essencial. Com a paralisação, muitas pessoas recorrem às artes, em todas as suas formas, mas principalmente online. Enfrentar a pandemia não está sendo tarefa fácil para ninguém, agora imagina uma quarentena sem séries, filmes, novelas, shows, livros, músicas… foi importante para o público em geral repensar o lugar da arte em suas vidas. Nunca tivemos tantos casos de depressão como agora, então me sinto uma privilegiada como artista e ser humano. Todos nós temos uma missão no mundo, e acredito que, de alguma forma, levar alegria para as pessoas nesse momento tão delicado me faz acreditar que talvez eu tenha dado um pequeno passo no meu processo de evolução espiritual também.

Durante a pandemia você participou como protagonista dos contos de Olavo Bilac, produzidos pelo Ciclo Ver e Ler, companhia de teatro da atriz Lazuli Barbosa. Como foi participar desse projeto?

R: Estávamos no meio da quarentena quando vi uma cena do Ciclo Ver e Ler no Instagram da Lazuli e gostei muito! Curti e comentei a publicação. Depois disso começamos a conversar por direct e finalmente nos ligamos e começamos a articular tudo por telefone. O bom dessa história é que eu não só fiz um trabalho lindo em meio a pandemia, mas acabei ganhando uma amiga incrível! Além disso, tenho recebido muitos feedbacks positivos!

Os contos exploram o protagonismo feminino e falam sobre temas que eram – e ainda são – tabus para a sociedade. Como foi para você interpretar esse personagem tão relevante?

R: A ideia era pegar um autor consagrado da literatura brasileira, dar vida às suas histórias e com isso levar um pouco mais de conhecimento e cultura ao grande público.” Continua. “A importância de interpretar e tocar em assuntos tão importantes e delicados como esses, é a possibilidade de gerar no público a reflexão sobre esses temas. À medida em que geramos no outro a capacidade de empatia advinda desse despertar para tais assuntos, temos a possibilidade de transmutar essa energia e, com isso, mudar aos poucos as atitudes das pessoas criando um mundo melhor e mais livre para todos.